Receba
nossas notícias!
WhatsApp

Indústria

Novo ciclo econômico

Investimentos bilionários alavancam mineração de ferro e níquel no Piauí

Com projetos que somam R$ 8.7 bilhões, estado diversifica produção para a indústria de baterias e gera milhares de empregos

Compartilhar com UTM

Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

 
 
Presença de terras raras, grafita e cobre abre nova fronteira de exploração para o Piauí

 Presença de terras raras, grafita e cobre abre nova fronteira de exploração para o Piauí

 
 

O Piauí vem se posicionando como um destino promissor para a mineração no Brasil. Suas reservas ricas em ferro e níquel têm atraído empresas nacionais e internacionais, impulsionadas pela transição energética e a crescente demanda do setor de baterias. 

Um levantamento do Estudo Geoeconômico do Estado do Piauí (EGE-PI), realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), mostrou que, entre 2010 e 2021, o estado acumulou 32,9 milhões de toneladas de produção mineral bruta, com destaque para  calcário, argilas, rochas britadas e cascalho.

A produção beneficiada foi de 18,6 milhões de toneladas. No mesmo período, foram aplicados R$ 139,2 milhões em pesquisa mineral, com foco em ferro, cobre, rochas ornamentais, manganês, fosfato e níquel.

Atualmente, de acordo com a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), o  estado possui uma reserva estimada em mais de 1 bilhão de toneladas de minério de ferro, produzindo anualmente 1,5 milhão de toneladas, já exportando para China, Estados Unidos, México e Noruega. 

As reservas piauienses de ferro e níquel têm atraído empresas nacionais e internacionais

 

“A nossa análise vai além dos números. O que estamos vendo é uma mudança estrutural no nosso modelo. Deixamos de ser apenas uma promessa para nos consolidarmos como um território estratégico na nova economia verde. Estamos diversificando nossa base com minerais críticos, como níquel, cobalto e grafita, essenciais para a fabricação de baterias e veículos elétricos”, destaca Bruno Casanova Cerullo, superintendente de Mineração e Energias Renováveis (SUMER) da Seplan.

A expansão do setor é coordenada pela vice-presidência de Mineração da Investe Piauí, que atua na prospecção de novos investimentos, na articulação com órgãos públicos e privados e no acompanhamento de cada fase dos projetos.

“A Agência lidera a construção de uma carteira estruturada de projetos, baseada em estudos do Serviço Geológico do Brasil, Estudo Geoeconômico do Piauí e em um mapa de oportunidades minerais identificadas por uma consultoria contratada, priorizando aqueles com grande geração de empregos, escala de produção e atratividade para investidores nacionais e internacionais”, afirma o vice-presidente de Mineração da Investe Piauí, Fernando Antonialli.

Fernando Antonialli, da Investe Piauí, articula projetos e novos investimentos para expandir o setor mineral no estado


 

A sexta maior exportadora de minério de ferro do país está no Piauí

Um dos principais reflexos desse crescimento é protagonizado pela Lion Mining, a sexta maior exportadora de minério de ferro do país, que atua em Piripiri e atualmente produz uma média de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro por ano.

A empresa firmou acordo com a Companhia Porto Piauí para iniciar, no primeiro semestre de 2026, a exportação de minério a partir do Porto de Luís Correia. O embarque será realizado via técnica de transhipment, em que mini-bulkers transportam o minério até navios de grande porte em mar aberto.

“Poderemos viabilizar muitas operações de cabotagem que hoje são inviáveis, e tornar as operações de exportação mais constantes e sustentáveis. Temos desenvolvido uma parceria muito construtiva com a Companhia Porto Piauí, e temos recebido muito apoio do Governo do Estado ao longo dos últimos dois anos, quando iniciamos um planejamento para fazer uma operação de transshipment, explica  Jader Fernandes, diretor da empresa.

Jader Fernandes diz que exportação de minério fica mais fácil com o Porto Piauí 


Segundo o diretor, a operação de transshipment possui um investimento baixo. “Qualquer Porto para ser construído, geralmente não se fala em menos de 1 bilhão de reais, o Porto do Pecém por exemplo, nosso vizinho, teve investimento de 5,4 bilhões de reais. Já o Porto Piauí ficará pronto para essa operação com um investimento muito abaixo, o que maximiza a viabilidade desse projeto, acrescenta.
 

Projetos nos municípios piauienses

Vários investimentos também estão sendo pensados para a implantação e operação no Piauí. É o caso da Modulax, que está investindo R$ 300 milhões na instalação de sua unidade em Piripiri, com previsão de gerar 270 empregos. A implantação está programada para começar em fevereiro de 2027, reforçando a expansão da atividade mineral no município. 

Outro projeto relevante é Lion Norte,  localizado em Cocal. O projeto prevê a aplicação de R$ 400 milhões e a geração de 200 empregos. O projeto é tocado pela Lion Norte Mineradora S.A, que detém uma área de cerca de 110 mil hectares e 91 direitos minerários destinados à pesquisa e futura exploração de minério de ferro. 

A Investe Piauí, que tem 5% de participação na Lion Norte, aportou R$ 20 milhões no projeto, investimento que está sendo utilizado para aprimorar as pesquisas geológicas da região, possibilitando uma definição mais precisa das reservas minerais e dos principais alvos para o início da fase de exploração.

 

Em Capitão Gervásio Oliveira, o Projeto Piauí Níquel possui investimento estimado em R$ 7,7 bilhões, e  prevê produção anual de 28 mil toneladas de níquel e 1 mil toneladas de cobalto. 

A obra deve gerar 3.500 empregos diretos e indiretos e tem previsão de início em 2026. Para viabilizar o  escoamento dessa produção, o estado aposta no Porto Piauí, situado a menos de 100 km de grande parte das novas reservas de minério de ferro.

A Bemisa (Brasil Exploração Mineral S.A.), que fica localizada em Paulistana, lidera o Projeto Planalto Piauí. Com 1,2 bilhão de toneladas em reservas de minério de ferro, o projeto está entre os maiores do Brasil e pretende produzir 15 milhões de toneladas anuais de pellet feed com alto teor de ferro (70%).  A obra já possui todas as licenças necessárias para operação e atualmente o projeto está em fase de engenharia.


Leia também

Mineradora anuncia que vai aumentar em 10 vezes extração de diamantes em Gilbués

Piauí tem oito municípios que podem receber royalties por escoamento de produção mineral

Sudene destina R$ 400 milhões para ferrovia que vai impulsionar grãos e minérios do Piauí


Em São Raimundo Nonato, a SRN Mineração desenvolve o Projeto Serrinha. A reserva estimada é de 637 milhões de toneladas de minério de ferro, com produção inicial de 2 milhões de toneladas por ano e foco em práticas ambientais sustentáveis de exploração. O projeto tem previsão para início da implantação em 2026.

No município de Pedro II, a Investe Piauí contratou e concluiu estudos fundamentais para o avanço da atividade mineral na região, entre eles o Estudo de Análise Estrutural e o Estudo de Geofísica, ambos essenciais para a compreensão do potencial geológico e para o planejamento das etapas subsequentes. A fase inicial de extração das opalas está projetada para 2026, nas áreas indicadas pelos estudos técnicos.

Já a Norte Mineração – Potássio no município de Corrente, no Sul do estado, está com investimento previsto de R$ 30 milhões. O projeto deve criar 30 empregos e tem previsão de início para julho de 2026.

Em Gilbués, também no Sul do Piauí, a DM Mineração opera com produção atual de aproximadamente 1.000 quilates de diamantes por mês e anunciou um plano de expansão que elevará a extração para 10.000 quilates mensais até 2026. As estimativas indicam uma reserva de cerca de 9 milhões de quilates, com potencial de alcançar até 50.000 quilates por mês conforme a ampliação da capacidade instalada.

 

Bruno Casanova:  Piauí é polo estratégico de minerais críticos para indústria verde
 

O Governo do Estado está atuando para atrair investimentos e diversificar a cadeia mineral. “Olhando para o futuro e áreas estratégicas, temos Pedro II, onde trabalhamos o fortalecimento da cadeia da opala, e a região da Bacia do Parnaíba. Nesta última, o Serviço Geológico do Brasil já identificou ocorrências promissoras de terras raras, grafita e cobre, o que abre uma nova fronteira de exploração para o estado,” afirma o superintendente Bruno Casanova Cerullo.


Arrecadação de royalties no Piauí

A atividade mineral também fortalece a arrecadação por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). É um repasse pago pelas empresas mineradoras aos estados, municípios e ao Distrito Federal, que corresponde à compensação pela utilização econômica dos recursos minerais existentes nos territórios.

O governo estadual está elaborando um projeto de lei específico para a mineração para fortalecer o setor

 

Os estados e municípios brasileiros produtores de mineração receberam R$ 547,3 milhões em repasses à arrecadação de outubro e distribuídos em novembro deste ano pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

O Piauí recebeu mais de R$ 237 mil em royalties, com R$ 78.322,50 destinados ao governo estadual e R$ 159.109,54 para municípios piauienses.

Entre os municípios, Teresina foi o maior beneficiado, recebendo R$ 76.699,10. Em seguida estão:

Floriano - R$ 17.262,84
Oeiras - R$ 14.723,50
Piripiri - R$ 14.659,69
Lagoa do Piauí - R$ 12.858,36
Monsenhor Gil - R$ 11.791,08
Dom Expedito Lopes - R$ 2.010,45
Demerval Lobão - R$ 1.960,03
Picos - R$ 1.920,99
Luís Correia - R$ 1.934,60
 

Mineração sustentável

Outras medidas são necessárias para que o desenvolvimento do setor ocorra de forma sustentável. Para isso, o governo estadual está elaborando um projeto de lei específico para a mineração, que incluirá diretrizes voltadas à economia circular, ao reaproveitamento de rejeitos, à recuperação de áreas degradadas e à mitigação dos impactos ambientais.

A estratégia também integra obras como a Ferrovia Transnordestina e o Porto de Luís Correia, com o objetivo de reduzir custos logísticos e diminuir a pegada de carbono das operações. Projeções indicam que o setor mineral pode crescer até 12% ao ano até 2040, com destaque para minerais da transição energética e da economia verde. 

(Reportagem de Natália Nascimento)

Siga o Piauí Negócios nas redes sociais

Comentários

Mais de Indústria