Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores piauienses está dando um passo importante para sair do laboratório e chegar ao mercado. O Detector Ionizográfico, equipamento criado para auxiliar no diagnóstico do câncer de mama, será desenvolvido em parceria com o (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A expectativa é que o primeiro equipamento fique pronto entre seis e doze meses.
O equipamento foi criado para ajudar os médicos a identificar se um nódulo na mama apresenta características de malignidade. Para isso, ele analisa o funcionamento das células da região examinada, oferecendo informações que complementam os exames tradicionais. Nos testes realizados durante a pesquisa, a tecnologia apresentou resultados semelhantes aos obtidos por equipamentos de alta complexidade, como o PET-CT, mas com potencial para ser muito mais acessível.
"O nosso objetivo sempre foi desenvolver uma tecnologia que pudesse ampliar o acesso ao diagnóstico precoce do câncer de mama. Depois de tantos anos de pesquisa, é muito importante ver esse projeto entrar na fase de desenvolvimento industrial", afirma Helton Gírio Matos, doutor em Engenharia Biomédica.
Além do equipamento atual, os pesquisadores estudam integrar a tecnologia ao ultrassom. A ideia é reunir, em um único exame, imagens da mama e informações sobre o comportamento das células, ajudando o médico a fazer um diagnóstico mais preciso.
O projeto é resultado de mais de dez anos de pesquisa conduzida por Helton Gírio Matos, em parceria com o médico nuclear Ary Oliveira Pires. A tecnologia nasceu durante seu doutorado e teve a patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2021, sete anos após o pedido de registro. Os resultados da pesquisa também foram publicados em revista científica internacional.
O Detector Ionizográfico recebeu reconhecimento em diversos programas de inovação. O projeto foi premiado três vezes no Salão do Inventor Brasileiro, selecionado pelos editais Centelha e Startup Nordeste e, em 2026, passou a integrar o Laboratório InovaSUS Digital, iniciativa do Governo Federal voltada ao desenvolvimento de tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS). A habilitação também inclui o projeto na rede nacional de pesquisa do SUS e abre caminho para futuras parcerias para utilização da tecnologia na rede pública.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento, tornando o desenvolvimento de tecnologias mais acessíveis uma prioridade para a saúde pública. Se o cronograma de produção do equipamento for cumprido, a expectativa é que essa etapa aproxime a tecnologia da produção em escala e, futuramente, da utilização por hospitais e serviços de saúde.
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